A chegada do ritmo, os desafios enfrentados até os dias atuais.

 

A matéria inicia com a imagem de dois bonecos, um homem e uma mulher em tamanho e estatura humana demostrando a forma de dançar o reggae.

Um estilo musical único que surgiu na década de 60 na Jamaica, baseado em um movimento religioso da região com características messiânicas, foi chamado de Rastafari. Com aspirações políticas e afras centristas ganhou adeptos no mundo inteiro devido ao interesse no ritmo do movimento reggaeiro fora da Jamaica, Bob Marley.

O preto, vermelho, amarelo e verde assim como os cortes rítmicos regulares sobre a música e pela bateria que é tocada sempre no terceiro tempo de cada compasso, caracteriza com um ritmo lento e dançante, que por trás do idioma americano, carrega em suas letras a reflexão de importantes questões como a paz no mundo, o preconceito racial, temas de opressão e denúncias das desigualdades sociais.

Em São Luís, o reggae teve seus primeiros registros logo na década de 70, mas não se sabe exatamente como chegou e nem por quem, o certo é que isso não faria diferença quando mais tarde, a capital maranhense teria o primeiro museu de reggae fora da Jamaica. Um museu moderno, diverso e itinerante que conta os caminhos percorridos pelo ritmo que mais se parece com a ilha. “Considero uma vitória da história do movimento reggaeiro sobre os preconceitos, as discriminações e o racismo”, assim descreve Ademar Danilo, diretor do Museu do Reggae.

O público tem acesso a um vasto acervo de documentos como discos raros, vídeos, fotos históricas, a moda do reggae além de depoimentos gravados com personagens do cenário reggaeiro, jornais, CD’s, depoimentos de grandes DJ’s entre outras memórias que possibilitam a construção cultural desse ritmo de grande relevância na identidade maranhense.

As festas foram suspensas devido ao atual momento da pandemia do Covid, o público amante do movimento esteve afastado dos eventos, que foram totalmente proibidos de funcionar devido às aglomerações. Aos poucos os clubes e as festas de bairros, vão timidamente estão retomando o funcionamento.

Os passos lentos, o dançar agarradinho ao som das “pedras” que são as melodias que ecoam de enormes caixas de som apelidadas de “Radiolas” dentro dos grandes clubes de reggae, é uma característica singular dos “seguidores” assim denominados os consumidores amantes deste ritmo no Maranhão. Por muito tempo o reggae foi discriminado e reprimido fortemente pela polícia da cidade.

Ademar não hesita em afirmar importância do novo acervo. “O museu vem demonstrar a mudança de posição do poder público, que durante 40 anos reprimiu e fechava clubes com violência, hoje não só abre museu de reggae, como o reconhece como fator cultural e turístico e, também o potencial econômico, porque o reggae possui uma cadeia produtiva muito grande”.

Uma figura indispensável no cenário reggaeiro, principalmente nas festas são os DJ’s. Eles são os responsáveis pela animação das grandes festas e demostram a grande paixão ao falar do ritmo.

“A música reggae tem um significado muito importante pra mim tanto cultural como profissional, além da paixão pelo ritmo jamaicano que é antiga, tive a oportunidade de me manter como dj e produtor cultural, com vários trabalhos junto ao universo do reggae não só em São Luís, mas como em diversas capitais como São Paulo, Brasília, Belém e Rio de Janeiro”, diz José Jorge Lobato, mais conhecido como DJ Jorge Black.

A paixão e a comoção dos reggaeiros é algo indescritível. “É uma sensação de tranquilidade, eu gosto de trabalhar escutando, dirigir ao som das pedras inclusive de Are We Warrior, que é batizado como o reggae do Maranhão, me traz certa paz”, relatou Tarcísio Reis Cascais.

Para ir para a próxima matéria, deslize até o fim da página e clique no meio da sua tela. Em seguida clique no canto superior direito e ouça!

pracegover